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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

História da caricatura brasileira




São 528 páginas, 90 capítulos e mais de 700 imagens em um livro de arte de 24 por 32 centímetros, com 3,5 quilos. Afinal, como diz o título, trata-se da “História da caricatura brasileira”. Mas basta uma olhada mais atenta para se perceber o subtítulo: “Os precursores e a consolidação da caricatura no Brasil”. Isso mesmo. Apesar do gigantismo, este é apenas o primeiro volume de uma coleção que vai se estender por mais cinco ou seis tomos. A obra, da Gala Edições de Arte, será lançada na segunda-feira, às 19h, na Casa de Cultura Laura Alvim, no Rio, e na terça, às 18h, no Instituto Cervantes, em São Paulo.



O autor do trabalho é Lucio Muruci, ou melhor, Luciano Magno, pseudônimo que ele adotou para seu primeiro livro, a exemplo do que faziam muitos caricaturistas, como Fritz (nascido Anísio Oscar Mota), Seth (Alvaro Marins), J. Carlos (José Carlos de Brito e Cunha) e Bambino (Arthur Lucas). Nascido no Rio, o historiador, pesquisador, caricaturista, editor e sociólogo dedicou 25 de seus 40 anos ao tema.




De seu esforço, sai um trabalho monumental, bilíngue (português e inglês), que traz revelações e corrige injustiças sobre uma arte que, diz ele, sempre teve papel de relevo. A principal novidade diz respeito à primeira caricatura brasileira. Especialistas citam “A campanhia e o cujo”, datada de 14 de dezembro de 1837, de autoria de Manoel de Araújo Porto-Alegre. Mas Magno mostra que, 15 anos antes, no dia 25 de julho de 1822, saiu publicada no periódico pernambucano “O Maribondo” uma charge que retrata um corcunda — representando os portugueses — pulando acossado por um enxame de marimbondos — os brasileiros.




— Esse patriótico desenhista é desconhecido. O tema da charge estava dentro do espírito proclamado no editorial da publicação, de teor nacionalista — diz ele.
‘Nova invenção artística’
Mas Araújo Porto-Alegre continua sendo o primeiro caricaturista brasileiro.
— Os anteriores eram anônimos. E não estavam retratando fisionomicamente uma determinada personalidade. Ele foi o primeiro porque era completo. Fazia tanto a charge, ou seja, a caricatura política, como a caricatura pessoal, o retrato fisionômico. E teve uma produção maior, mais sistemática, mais regular. Realizou mais de 70 caricaturas e fez a primeira revista especializada, “A Lanterna Mágica”. Foi o primeiro profissional desse ofício no país e o patrono dessa arte no Brasil. Sua primeira caricatura, no “Jornal do Commercio”, é acompanhada de um texto dizendo que “saiu à luz o primeiro número de uma NOVA INVENÇÃO ARTÍSTICA (sic)”. Se a xilogravura de “O Maribondo” é o marco inaugural, esse texto é o marco oficial.




Só no primeiro volume são mais de 300 caricaturistas. Muitos, diz Magno, sequer citados em estudos anteriores, como Leopoldo Heck, Assis, Carneiro Vilella, Luiz Távora e Maurício Jobim. Outro destaque é o registro das primeiras aparições do desenho de humor no Brasil, como a obra do curitibano João Pedro, o Mulato, e da produção pioneira pernambucana. Mas o Mulato não pode ser considerado o fundador.
— Ele é pré-pioneiro porque não publicou. Suas obras, criadas entre 1807 e 1817, não tiveram circulação impressa, constituindo exemplares únicos.
Há relatos ainda de caricaturas relativas à Revolta de 1817 e aos amores de D. Pedro I, mas das quais não restaram quaisquer traços.




— Essas produções antecipatórias não deixaram registro gráfico, não foram impressas, enquanto “O Maribondo” foi um jornal que foi editado, teve uma circulação.
Em seguida a ele, surgem outros periódicos, como “O Carcundão” e “O Carapuceiro”. Além de mostrar jornais e revistas, ele perfila os artistas, com destaque para Angelo Agostini, italiano naturalizado brasileiro, “figura mais emblemática” da caricatura oitocentista, fundador, em 1876, da “Revista Ilustrada”. “Agostini revolucionou a nossa caricatura, por suas ideias liberais, antiescravistas e republicanas”, escreve. Outro nome de destaque é o português Bordalo Pinheiro, “detentor de um estilo personalíssimo, ainda hoje incrivelmente moderno”.





No lançamento, o livro vai estar à venda por um preço promocional de R$ 79. Ele também poderá ser adquirido pelo site que Magno edita, e pelo e-mail lucio.muruci@ig.com.br por R$ 89. E, nas livrarias, custará R$ 120.
A ideia é lançar cada novo volume de seis em seis meses. No fim, Magno terá mapeado a produção gráfica brasileira, dos primórdios aos dias atuais. O segundo já está quase pronto. “Guerras, diplomacia e questões nacionais no século XIX” aborda temas como a Guerra do Paraguai, a campanha abolicionista, a Guerra de Canudos, o carnaval e o jogo do bicho.




— É uma continuidade do primeiro. O século XIX é muito rico, e foi o período mais difícil de se cobrir, pelas dificuldades de obter material.
O terceiro volume, com os textos já finalizados, abrange a Belle Époque brasileira, de 1915 a 1925, e tem como subtítulo “O alvorecer de uma nova geração”. Entram artistas como Raul Pederneiras, K. Lixto, Bambino, J. Carlos e Falstaff. Os volumes seguintes serão “Da Primeira República à Revolução de 1930", “O humor gráfico de 1925 a 1960” e “O humor gráfico contemporâneo — 1960 a 2000”. O trabalho de Magno vai falar da web e da TV.
— A obra também vai abordar os artistas que usam a internet como veículo para seu trabalho. E vai mostrar a fase dos cartuns televisivos, como os do plim-plim da Globo. E tenho a ideia de um sétimo volume, especial, sobre fatos e personalidades da cultura brasileira — diz ele, sem entrar em detalhes.




Mais que a principal obra sobre a caricatura no Brasil, ele define o trabalho como “a concretização do maior tratado já realizado na caricatura mundial, circunscrito a um único país”. E que fala da caricatura pessoal, da charge e do cartum.
Fascínio por Henfil
O interesse de Luciano Magno pela caricatura começou aos 15 anos.
— Henfil foi uma referência muito forte. Eu assistia a um quadro dentro do “TV Mulher”, o “TV Homem”. Continuei a acompanhar o tema e descobri Luiz Sá. Ele é o criador gráfico do Bonequinho do GLOBO, numa parceria com Rogério Marinho, que foi o idealizador, em 1938. Sá foi o primeiro multimídia da caricatura brasileira, usou todos os meios de comunicação da época, revista, jornal, rádio, TV e cinema. Tanto Luiz Sá como Henfil exerceram um fascínio muito grande em mim.



Em seguida, Magno começou a participar do movimentos dos fanzines. Criou o seu, “Quadrinhos”, e dedicou uma das edições a Sá. Mas percebeu que o caricaturista rendia numerosas outras homenagens. Uma delas foi a primeira retrospectiva dele, em 1993. De Sá partiu para J. Carlos, depois para Seth. Até ter a ideia da obra atual, que tem patrocínio da Petrobras, e copatrocínio da Eletrobras e da Suzano Papel e Celulose.
Formado em Ciências Sociais na UFRJ, com mestrado em Arte na UFF e doutorado em História Social da Cultura na PUC, ele realizou dezenas de mostras ao longo do tempo, como “A era J. Carlos: 100 anos”. Foi idealizador do I Festival de Humor Gráfico, conjunto de 11 exposições realizadas em 2002, e vai promover em 2013 e 2014 a I Bienal Internacional da Caricatura.


— Glauber Rocha certa vez disse: “O cinema para mim é sagrado.” Pois eu digo: a história da caricatura brasileira para mim é sagrada — conta.
Magno explica ainda que o livro dialoga com os três maiores historiadores da caricatura brasileira do século XX, Ruben Gill, Herman Lima e Álvaro Cotrim. E cita os vários fatores que ajudam a entender seu interesse pelo tema:
— O nível de excelência de nossas caricaturas, a capacidade que elas têm de retratar o país, a inserção que têm a nível político e cultural, exercendo função crítica. A História do Brasil pós-1822 se confunde com essa arte.
Em várias passagens, isso fica mais evidente, como na campanha abolicionista, que contou com o traço de Angelo Agostini e Bordalo Pinheiro, na questão religiosa, que envolveu a participação de grandes caricaturistas nacionais por mais de 20 anos, e na causa republicana, que tinha como adeptos numerosos artistas.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Rui Mendes e o movimento punk nos anos 80 em São Paulo



As fotografias de Rui Mendes mostram o auge do movimento nos anos 80, exposição 'Punk' faz parte da 4° Mostra São Paulo de Fotografia.



O fotógrafo Rui Mendes vasculhou seus arquivos e encontrou fotos raras do movimento punk em São Paulo feitas entre 83 e 86. Parte destas imagens estarão expostas a partir do dia 25 de janeiro durante a Mostra São Paulo de Fotografia. O trabalho do fotógrafo é fruto do convívio com artistas no auge do movimento e também pela circulação na noite paulistana da época.



"As fotos foram escolhidas não só pelo valor histórico mas principalmente pela estética", conta Rui. As 34 imagens em preto e branco representam bem o 'jeito Rui Mendes' de fotografar. As imagens mostram bandas como Ratos de Porão, Mercenárias, Inocentes em retratos e momentos descontraídos nos bastidores.




O capítulo punk do trabalho de Rui Mendes vai fazer parte de um livro sobre sua carreira como fotógrafo musical iniciado em 82, quando ainda era um estudante anarquista e começou a circular pela cena musical paulistana.





4° Mostra São Paulo de Fotografia
Espaço Revista CULT - Rua Inácio Pereira da Rocha, 400
Data: de 25 de janeiro a 23 de fevereiro
Veja outras exposições: www.mostraspdefotografia.com.br

terça-feira, 9 de outubro de 2012

O Palhaço (2011)




71 filmes disputa uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro, entre eles "O palhaço", do brasileiro Selton Mello.




Benjamim (Selton Mello) trabalha no Circo Esperança com seu pai Valdemar (Paulo José) dono do circo. Juntos, eles formam a dupla de palhaços Pangaré & Puro Sangue e fazem a alegria da plateia.



Com o tempo a vida vai ficando sem graça para Benjamin, que passa por uma crise existencial e assim, volta e meia, pensa em abandonar seus  amigos da trupe. Seu pai e amigos lamentam o que está acontecendo com o filho, mas entendem que ele precisa encontrar seu caminho por conta própria.



O filme que  além da atuação conta com a direção de Selton Mello, mostra um circo em seu lado mais romântico, que viaja pelo interior folclórico de Minas Gerais. 


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Bel Borba



Aos 55 anos, o muralista baiano foi tema de reportagens recentes do "New York Times" graças a um projeto de "street art" que tem desenvolvido na cidade.




Conhecido pelos mosaicos e painéis que monta em bairros da capital baiana, o artista tem saído diariamente às ruas de Nova York, perambulando com sua equipe por regiões do Brooklin, do Queens e de Manhattan.



Usando garrafas pet, sacos de lixo, chicletes, adesivos, pedaços de plástico e o que surgir à frente, Borba entra em contato com associações de moradores a fim deixar sua marca no chão ou nas paredes públicas.



quinta-feira, 5 de julho de 2012

Tarsila do Amaral

Abaporu
do Tupi "homem que come carne humana"

Tarsila Amaral nasceu em 1 de setembro de 1886 em Capivari, filha de uma milionária família de fazendeiros, Tarsila passou sua infância no interior junto com seus sete irmãos. Devido a riqueza da sua família recebeu a melhor educação de sua época que seria a francesa.

A Negra
Tarsila casa com um membro conservador da sociedade paulista, que não permite seu desenvolvimento na arte, Tarsila pede a anulação de seu casamento.

Antrofagioa
Sua introdução naarte vem em 1917, com sua viagem para Europa, mas seu integração com o mundo artístico acontece em seu retorno ao Brasil, em 1922 quando é apresentada em uma confeitaria paulista aos Modernistas, Oswaldo de Andrade, Mário de Andrade, Menotti Del Picchia e Anita Malfatti, esse se tornaria o grupo do cinco.


Em 1923, junto com Oswaldo de Andrade, que futuramente tornaria seu marido, Tarsila retorna para Europa para estudar a arte cubista e conheceu o mestre Picasso.

O Lago
1924 foi o ano que a artista fez sua viagem de “redescoberta do Brasil” com seus amigos modernistas, em sua viagem Tarsila adotou temas tropicais da flora e fauna brasileira, dando inicio a sua fase “Pau-Brasil”


Manacá
Sua primeira exposição foi realizada em 1926 em Paris, em 1928 Tarsila pinta o Abaporu, essa é a obra brasileira mais valiosa no mundo, adquirida por 1,5 milhão de dólares por um colecionador argentino.

O Pesgador
A obra Abaporu deu origem ao manifesto Antropofágico idealizado por Oswaldo de Andrade, lido em 1928, contendo ideias ideológicas inspiradas em Marx, Freud, Rosseau.


Anjos
Apenas em 1929 as obras de Tarsila ganha uma exposição no Brasil, no Rio de Janeiro, com a Crise de 29, Tarsila perde sua fazenda, e boa parte da fortuna de sua família, nesse mesmo ano seu marido Oswaldo de Andrade declara seu amor por outra, a revolucionaria Pagu.Com o divorcio e a crise, Tarsila se entrega a arte.

A Lua
Em 1930 se trona conservadora da Pinacoteca do Estado de São Pauloe realizou o primeiro catálogo do primeiro museu de arte paulista, Tarsila se casou novamente, com um psicólogo, voltou para Paris e sofreu problemas financeiro tendo que trabalhar como operária e pintora de parede e portas.

Operários
Em seu retorno ao Brasil em 1933 foi presa acusada de subversão e pinta o tela “Operários”, nos anos 30 Tarsila pinta temas voltado a questões sócias. Depois de se divorciar de seu marido casa com o escritor 20 anos mais novo que ela Luís Martins esse seu relacionamento dura até os seu 50 anos.

O Ovo ou Urutu
Após um erro em uma cirurgia na coluna Tarsila fica paralítica e em 1966 perde sua única filha, fruto de seu primeiro casamento, Tarsila se apoia na religião espirita para se fortalecer, doando parte de seu ganho pela venda de seus quadros para a instituição dirigida por Chico Xavier, de quem se tornaria amiga pessoal.


Em 1973 a mulher símbolo do modernismo brasileiro, falece no hospital em São Paulo devido a depressão. Seu leito eterno está localizado no Cemitério da Consolação.

Tarsila do Amaral
1886 - 1973
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